9.30.2008

A Máquina dos Sonhos

O tema que nos foi proposto para este trabalho tem duas palavras-chave: máquina e sonhos.

A palavra sonho remete-nos imediatamente para duas conotações diferentes – por um lado, a experiência visual, com uma estética única, durante o sono; por outro, os nossos desejos mais profundos, formulado em forma de objectivos, pelos quais lutamos e nos esforçamos, todos os dias. Temos então, dois conceitos com o mesmo nome, mas sentidos muito diferentes.
Se tivéssemos uma máquina de algum tipo, que nos mostrasse ou fizesse viver uma realidade onde os nossos sonhos (no sentido de objectivos pessoais), qual seria o impacto na sociedade?
Exemplificando, se criássemos um capacete de realidade virtual, que conseguia fazer o utilizador experimentar a sua vida, com todos os seus objectivos cumpridos, qual seria a reacção? Viciar-se-ia o utilizador naquele avatar, fugindo da realidade de forma compulsiva, para viver os seus sonhos? Ou, depois de experimentar uma vida sem objectivos significativos a cumprir, o utilizador iria pôr a máquina de lado e enfrentar a sua realidade com novos olhos?

Falando agora de sonhos no seu sentido mais comum. O sonho é experiência gráfica que nos surge durante o sono, brincando-nos com os sentimentos e pensamentos renegados no inconsciente, pelo ego, em forma de acontecimentos simbólicos.
Por vezes, temos sonhos que nos parecem durar horas, que nos contam uma história que não deciframos, porque apenas fragmentos, símbolos, ideias, ficam registados na nossa memória e muito facilmente se perde, em detrimento de outra informação. E se pudéssemos gravar os sonhos? Melhor ainda – e se pudéssemos ter um pequeno aparelho, semelhante a um leitor mp3, para onde podíamos descarregar sonhos, os nossos próprios e outros (pré-defenidos, de amigos, de vários estilos de estética e narrativa, etc)?

Quanto ao factor máquina, são quase obrigatórios dois autores, antes mesmo de começar qualquer processo – McLuhen e Baudrillard. As filosofias McLuhenianas apontam os media como uma extensão do corpo, mas, nas duas ideias apresentadas, não poderiam ser, também elas, consideradas extensões do nosso corpo, ainda que por razões diferentes? Quanto a Baudrillard, em especial na primeira ideia apresentada, seria interessante estudar a simulação e o simulacro, o deserto do real, por fuga para o virtual.

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